Abranger
Por vezes parece que o meu ser (se é que tal grandiosidade não é apenas vaidade que esconde uma simples e ténue consciência) é demasiado pequeno para tudo o que se acumula. Todos os factos, todos os segredos, tudo o que se encontra tão enterrado que não pode jamais mergulhar num mar. Um mar tão leve em que todas as culpas e todas as indecisões flutuam e se perdem em correntes intermináveis que não levam a qualquer lugar. E, por fim, chego. Chego a um dos tantos lugares que a minha imaginação deseja.
Nos dias realmente imprefeitos não tenho forças para imaginar tais lugares e fico-me apenas pelo vazio, vazio que não o é. Sendo apenas uma sucessão de objectos e acontecimentos em que me incluo por vontade. A vontade não é minha e muito menos de uma entididade superior é apenas uma vontade fraca e invejosa que me faz continuar. Como todas as vontades que não são nobres esta acabará eventualmente por esvanecer-se e, quando tal acontecer, aqui ficarei eu rodeada por tais objectos e acontecimentos, tentando paracer interessante quando, no fundo, não o sou.

1 Outros Pensamentos:
Mas és interessante....
Talvez só não consigamos ver a grandeza e imensidão do nosso ser porque nós próprios estamos ofuscados. Ofuscados pela nossa incessante procura dum sentido para o ser. O ser não é somente abrangido por aquilo que compreendemos, mas muito mais por aquilo que só conseguimos ver e sentir de olhos fechados...
Assim sendo, a unicidade do Ser dá um brilho notório a cada gota de água que chove no nosso mar - o mar do âmago.
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