17 Março 2007

Espero

Perco-me no silêncio que me acalma e me sufoca. Espero, em vão, algo. Olho para toda a parte, procuro, na esperança de que seja quebrado o silêncio.
Visto da janela tudo parece tão imutável, tudo parece tão silencioso que nem o ocasional vibrar de um pássaro é considerado. Eu espero. E espero saber o que espero pois parece que espero aquilo que não deveria esperar.
Tudo se preparara, espero a sucessão de eventos que irão acontecer. Porque irão e porque agora não tenho dúvidas, espero. Não faço confidências porque a quem as poderia fazer? E mesmo que as fizesse que Lhes poderia dizer?
Será desconsideração esperar o que não procuro esperar? Noto como a significancia é breve e inconstante, como todo o sinificado se desvanece em momentos tão fugazes e inexpressivos. Será tão grande a incompreensão que não pensa que espero?
Afinal que espero? Espero o que não deveria esperar na esperança que o que quero se manifeste. Mas sei que não deveria esperar esse desejo que não é desejo mas sim a vaga imaginação de algo que não se irá concretizar.

Espero e procuro algo que compense tanta espera no silêncio que prolifera. E aos poucos o tempo vai avançando e desesperadamente tento encontrar algo que indique o fim desta espera, um sinal, um som, uma palavra. Mas nada muda e o silêncio continua cru e profundo como todas as vezes que espero.

Será assim tão mau o silêncio que me alberga? Não terei direito a uma existência desafogada e livre das excitações que, pelos vistos, são o melhor da vida. Serei assim tão incompatível? Penso em toda a consideração que criei e em todo esforço que abraçei para não culpar ou julgar. Penso no esforço que me foi feito e observo que esse apenas consistia em demarcar correctamente e definir algo que tinha como melhor caracteríctica a falta de definição. Esta observação é, claro, reduzida e muito incompleta mas quando conceder já não é a prioridade parece que tudo se desvanece e só resta algo que prefiro não definir.


"Não mudo." Se tudo parece não mudar porque terei eu que me adaptar? Porque o fiz tantas vezes? Porque mudei e deixei de olhar para mim?

Como posso dar tão pouco significado a tanto?
Como posso dar tanto significado a tão pouco?

Espero.
Espero que estas palavras adquiram outro significado para além do meu. Espero mas já não tenho medo.

0 Outros Pensamentos:

Natureza de tornar Cristal