20 Março 2007

Instigações

Onde está o conforto? Onde está a amizade? Onde está tudo aquilo que me era prometido e a que me prometi?
Ingenuamente pensei, atrevi-me a delinear algo e a imaginar que ira ser simples e claro e, mais que tudo, "painleess". Como pude ser tão ingénua?
O momento, tão esclarecedor e decisivo, não disfarçou a minha insegurança e a tua imovível vontade. Não o esperavas dizes tu, mas o esforço que esparava nunca veio, não emergiu por entre todas as mágoas, acusações e silêncios. Mutuamente avançámos, pela primeira vez em algum tempo, na mesma direcção. Mas apenas nos dirigimos para o fim. Fim que não pode ser apagado como outros que, adormecidos, foram ficando esquecidos. Como pude esperar tanto o que não queria?
Agora, de longe, observo algo que um dia já foi meu. Observo aquilo que eramos pela consideração de outros, observo como ainda nos referem e como gentilmente sorrio tentando esconder algo que luta e me estilhaça por dentro, tentando perceber porque estou onde estou. Ainda te referem, ainda nos referem. Nada digo, procuro prolongar algo que já terminou, tentado alcançar uma pequena existência tua, na esperança de que continues a abraçar-me só mais um pouco.
Observo-te, revolto-me. Porque me apresentas alguém novo que nunca conheci, prefiro não observar. Divertes-te no cinzento das ruas, conheces pelos deslumbramentos suaves que procuras absorver a todo o custo como se tentasses aproveitar tudo o que nunca conseguiste, tudo o que nunca pudeste quando estavas comigo. Aproveitas, aproveitas-te. E desrespeitas-me. Não no passado nem no futuro, mas na noite tão cinzenta e colorida e tão cheia de encantamentos e ilusões desrespeitas-me. Como pude ser tão deslumbrada?

1 Outros Pensamentos:

balhau disse...

Nao sei quem sejas! Mas imagino quem pudesses ser!

Natureza de tornar Cristal