Perplexidades
Contemplo o que me rodeia e encontro um mundo cheio de pessoas que se adequam perfeitamente em si.
Percebo a sua superioridade, o seu andar descontraído ou o seu andar aprumado. Percebo porque compreendo a sua natureza superior que eu claramente não possuo.
Tudo em mim reclama ignorância, uma ignorância quase infantil que me persegue e me relembra constantemente da minha falta de superioridade. E, como tal, fico perplexa quando observo que até nem me saí mal. Não acontece muitas vezes, claro. Mas quando me deparo com essa realidade cresce em mim um certo contentamento, que não deveria sentir. Porque são apenas momentos em que posso parecer mais que aquilo que sou.
Revjo-me e, cada vez que o faço, observo, estupefacta, como consegui penetrar num mundo que claramente é tão intlectual e tão errado para mim.
Sinto-me como se estivesse num jantar e fosse a única criança sentada na mesa dos aultos.
Anseio por todos os momentos meus em que me olham e me pensam. Anseio por um breve olhar ou uma breve palavra, anseio por me poder expressar num mundo onde todos já o fazem.
Procuro constantemente os breves instantes em que sou eu e não mais alguém. Esses instantes que se desvanecem num simples vislumbre...
Brilho nos instantes e talvez, num dia bom, nos momentos. Mas, tal como estes quando terminam, também eu desapareço.

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