14 Abril 2007

Vaguear

Vagueio. Procuro alcançar tudo o que quero e tudo o que espero querer.
Não contemplo tempo nem espaço apenas me observo a existir e a deambular por um espaço que quero tanto que a ainda seja meu. Observo todas a minhas deambulações nocturnas e todas as vontades que se perdem quando a noite já me tomou e me aconchegou.
Por debaixo das estrelas tudo se encontra calmo, nada mais há a viver. Uma ocasional perturbação desperta em mim todos os medos que depressa são levados pelo vento que sibila entre as folhas das palmeiras. Porquê? Perguntam-me constantemente. Porque me isolo na noite escura e friamente bela? Não lhes posso responder. Para mim tudo se esconde na bruma que se forma na minha tentativa de provar sentimentos.
Não procuro olhar as estrelas. Porque não o faço? Não me permito a breves momentos de acção, que é o que tudo implica. Sei que elas lá estão, sinto-as a brilhar mas não as posso contemplar.
Perfiro o abrigo que me dão, as horas que se arrastam, as conversas particulares... Perfiro tudo o que não exija de mim qualquer necessidade de vontade.
Não consigo focar o essencial. Pois todo o meu pensamento vagueia para possíveis possibilidades de possibilidades. Quando páro e penso obsservo como consigo turvar os meus pensamentos de forma a perder-me num labirinto que eu sei que é meu.
Vagueio esperando por ansiar aquilo que procuro não ansiar vagueando.

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