19 Julho 2007

Círculos da Memória

A mulher idosa pensa que o temor que tem de que a sigam tem nela o mesmo valor que o temor de que a procurem e a encontrem. E, dentro deste círculo, há nela um outro círculo mais estreito: o desejo de ser seguida e de ser encontrada.
Este último círculo é tão compacto como uma pedra, e com essa pedra a mulher atiraria aos pássaros que odeia, se não fosse porque é cobarde e nem sequer reconhece a pedra que leva consigo.

Todas as noites pensa que no dia seguinte irá ao bosque, e inclusivamente em sonhos reinventa, com a pedra, os círculos concêntricos da sua memória.

A mulher idosa agiganta o seu crime e prolonga uma vida que só a sua alma pecadora é capaz de julgar.

Menchu Gutiérrez, A Tábua das Marés.

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