De Noite
Movia-se de noite. Na penumbra das luzes amarelas.
Nas paredes amarelas do arquivo observavam-se as sombras, sombras que dançavam fluidas. De formas e contornos diversos. Serpenteavam por entre as espessuras das paredes procurando mais alto. Tentando elevar-se e elevar o conjunto.
Mas nada, nada se destacava mais que ela. Ela que flutuava. Em consonância com o ar, com a brisa e com a noite escura levemente animada ao som da música da guitarra.
Movia-se, arrastando consigo o vestido branco que ondulava preguiçosamente, como que suportada pelo ar. Não lhe seguia o olhar, nem poderia… Estava para além de si, estava para além de mim.

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